Hoje li este artigo de opinião do Rui Ferreira no P3 e fiquei a pensar que há duas coisas muito diferentes nisto de ir embora do nosso país à beira mar plantado. Concordo com o que o Rui diz quando fala que nós hoje em dia não podemos ser comparados com a geração dos anos 60, porque somos instruídos, aprendemos a língua muito mais facilmente e a maioria de nós também é qualificada. Ele defende também que não nos podemos fazer dos coitados que foram expulsos do nosso país. Também não gosto desse papel mas isso não é bem um rótulo que assumimos como ele lhe chama, é mais um sentimento. É a diferença entre eu ter um emprego cá e querer ir para fora porque ambiciono mais ou não ter nada e ser obrigado a ir. E isso é muito complicado de gerir e, sem dramatismos, faz-nos mesmo sentir que não temos escolha, não temos lugar para nós aqui. E não sei se nos devemos sentir gratos ao nosso país que nos deu a educação como ele diz, porque nós a pagamos e mesmo assim no final não temos lugar para desenvolver o que aprendemos aqui. Não conseguimos ser melhores, nem estudar mais, nem crescer enquanto profissionais. É muito difícil conviver com esses sentimentos, eu até poderia chegar a uma altura da minha vida em que visse a emigração como uma ambição e sair por minha vontade, por desejar isso para o meu futuro. Mas da forma como as coisas aconteceram, a minha vontade não quis dizer nada, tenho que sair porque aqui cheguei ao fim da linha. Para mim há uma diferença muito grande nesses dois pontos, sou grata ao país onde nasci pelos anos todos que dividi com ele mas ele não me retribui agora que preciso. Também concordo que a felicidade está em qualquer lado, não tem que necessariamente ser no sítio onde nascemos, mas gostava de ter tido as duas opções e depois decidir, até porque não sou acomodada, sou ambiciosa e quero o melhor para mim mas a nossa geração de emigrantes não tem de maneira nenhuma só isso em conta para ir embora.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
10 pontos para o Peixoto
"Em protesto contra a não realização da Feira do Livro do Porto, José Luís Peixoto terá um encontro com leitores e sessão de autógrafos no dia 5, a partir das 18h30, nos Maus Hábitos, Porto."
Li no Expresso e depois no blog do autor, fiquei verdadeiramente contente! O primeiro e único livro que até agora li dele foi o Dentro do Segredo sobre a Coreia do Norte. Até então nunca tinha lido nada dele mas como adoro ler sobre tudo o que tenha a ver com regimes e culturas completamente diferentes da nossa, comprei este assim que saiu. Adorei! Mas ainda gostei mais dele depois de ler isto, é uma ideia realmente boa. A não realização da Feira do Livro no Porto foi, a meu ver, a maior estupidez dos últimos tempos. E pouco me importa de quem é a culpa de não se realizar, a verdade é que os livros não chegam às pessoas, nem os autores, nem a cultura. Por isso bato palmas à atitude do JLP e se puder lá estarei dia 5, com muito gosto!
Depressões festivaleiras
Candidatei-me para ser voluntária para Optimus Primavera Sound cá no Porto, para além da experiência e do convívio, é a oportunidade de ir a um festival, sabemos bem o preço dos bilhetes e para um desempregado é impossível muito difícil fazer certas coisas. Não fiquei seleccionada porque eles privilegiam as pessoas que fizeram já outras acções de voluntariado com eles. Oh. Compreendo e eles têm logo isso na inscrição, já sabia que era complicado tanto que me candidatei a duas acções de voluntariado para o mesmo fim de semana que já sabia que esta era quase impossível! Mas é parvo, há muito poucas pessoas a terem oportunidade de entrarem para esse grupo, notava-se perfeitamente pelos comentários que muitas delas já se conheciam e "bora, estamos lá outra vez!". Ainda não é desta que vou ao Primavera Sound e é na minha cidade, que fará se fosse em Lisboa. Tenho realmente que emigrar para conseguir fazer uma coisa dessas, ao preço que os bilhetes estão neste país. E não digo só em festivais, é complicado ir ao teatro, ir ao cinema, ir a qualquer lado. Tirando as coisas à borla que felizmente ainda vamos tendo alguma oferta, é tudo impossível para a nossa esmagada classe média. Mesmo assim ainda conheço algumas pessoas que vão religiosamente aos festivais todos os anos e gastam rios de dinheiro só nos bilhetes, fora depois lá. Um minoria, é certo, e pessoas que gostam muito de música mas também pessoas que não têm a noção do que é o "mundo cá fora". Acho que ainda se vão arrepender um bocado desta mentalidade despesista. Cá por casa a coisa não é assim e nem eu nem mon amour vamos ao parque da cidade este ano, again. Fomos ver Bloc Party à Queima das Fitas, conta como warm-up? Deixem-nos vir com libras que vocês vão ver!
terça-feira, 28 de maio de 2013
A doceira que há em mim
Adoro cozinhar! Mas adoro mesmo, é muito raro chatear-me por ter que fazer coisas na cozinha e gosto de cozinhar para muita gente e coisas novas. Modéstia à parte, acho que até levo jeito para a coisa. Já para os doces a conversa não é a mesma, acho que antes pensava que quem sabia cozinhar também era bom a fazer sobremesas mas comigo não funciona assim. Não sei se é só comigo! Tenho-me esforçado por melhorar e por ir fazendo coisas diferentes para praticar mas há sempre qualquer coisa que me acontece e não fica propriamente como era suposto. Hoje aventurei-me nos muffins inspirada pelas palavras da Dra. Joana e acho que não me saí lá assim muito mal, estão óptimos em termos de sabor. Fiz os de aveia com pepitas de chocolate mas apetece fazer todas as receitas! Mas como não faço a coisa por menos, claro que comprei as formas de alumínio no tamanho acima do que era suposto e acabei por fazer umas mini-tartes de muffins espectaculares... :)
Tell me something new
- Miguel Esteves Cardoso - Sim, também já li o livro de que todos falam! Muitas das crónicas já são conhecidas e como ele disse uma vez ao RAP a propósito do que este escreve para a Visão, para se escrever uma crónica boa tem que sair merda-merda-merda antes. Ou seja, não adorei todas mas gostei da grande maioria delas, é uma boa compilação! É um livro leve, interessante e inteligente, nada de novo no Miguel.
- Zero Dark Thirty - A história da captura do Bin Laden que o homem da casa já queria à tanto ver. Não ficamos propriamente impressionados, é interessante mas exaustivo.
- Rui Maia, membro dos X-Wife, lançou esta música fantástica!
- Álvaro Silveira, autor dos dois desenhos a conversar e também autor de outra tira no P3, lançou uns amiguinhos novos que também vale a pena seguir, a bela e o monstro!
Broken things
Houve um tempo em que pensei que era a tua prioridade. Eu era mais e tu eras mais comigo, era a diferença que nos orgulhava. Era os domingos de sol com os cabelos longos ao vento, aqueles que dizias que mais ninguém tinha igual e que todos desejavam. Quando pela primeira vez numa manhã me disseram que tinha os olhos muito brilhantes não pensei que fosse continuar com eles assim o resto da vida. Foram muitas noites a fazer o mesmo que naquela do meu aniversário. Seis anos e tantos que já passaram. Não sei dizer o que resta daquilo que um dia fui, estou estilhaçada e nunca nada nem ninguém vai conseguir juntar os bocados todos em que me partiste. Por mais voltas que a vida dê e eu lute nunca mais serei inteira, nunca serei aquilo que em tempos tive a certeza que ia ser. Não sei como é o teu abraço. Quando me falas em saudade não sei que sentimentos despertas em mim. Não é rancor nem tristeza, acho que este é o sabor do vazio, ainda não descobri ou não quero descobrir. Sei que vou ser sempre tua assim como tu és minha e era tudo mais simples se isso pudesse ser quebrado, como me quebraste a mim. Hoje preciso de novo e não estás cá, já não me lembro de estares.
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