Depois de ter visto no
blogue da Rachelet fiquei mortinha por experimentar estas worst tours pela minha cidade. Como andamos em contagem decrescente e queríamos arranjar programa para um fim de semana que não dava para praia, passámos a tarde de sábado a correr o Porto de lés a lés. Com mais 5 alemães e os dois arquitectos não guias desempregados fomos a um sem número de sítios e vi coisas por aqui que nem sonhava que existiam. É o bom destas visitas! Achei que para quem não conhece o Porto não é suficientemente esclarecedora da cidade mas não deixa de ser rica, acho que é mesmo isso que eles querem demonstrar, a outra riqueza da cidade, a das pequenas coisas, que os turistas encontram facilmente os clérigos e a ribeira.

Começámos no jardim do Marquês debaixo de um sol quentinho e seguimos pela rua do Bonjardim. As fachadas das casas em azulejo são espectaculares, já à muito que tinha reparado nelas porque na zona onde cresci e vivi até à pouco não se vê tanto. Pena a maioria delas, e grande parte da cidade, estar degradada.
Fomos a uma horta comunitária no Musa (se bem me lembro) que tem uma vista bem bonita e couves, milho, galinhas, morangos... As escadas fizeram-me lembrar a quinta do meu avô. Eu, que ando com a melancolia em máximos históricos, fiquei logo a matutar naquilo. Nunca mais lá voltei avô, sem vocês não é tão bonito.

Fomos à igreja da Lapa e dei conta que nunca tinha entrado numa igreja aqui! O chão é lindo, em contraste com os vestidos horrorosos dos convidados do casamento que estava prestes a acontecer por lá. Andámos até a uma das zonas da cidade que mais gosto, as virtudes. E descobri o miradouro da Vitória que é mesmo ao lado do jardim e nunca tinha dado conta dele! Aquela vista enche-me sempre a alma, que saudades vou ter dela. Guardei uma recordação de um graffiti do Hazul antes que o Rui Rio o mande pintar. Mas a cidade já não quer saber dessas coisas, já respira o S. João e mal posso esperar pelo dia! Terminámos em Miragaia, um dos primeiros sítios que conheci aqui e onde quero ir dar um passo de dança no domingo.

Nunca pensei que os clérigos tivessem 25 andares. Nunca reparei que a torre está na parte de trás da fachada e no quanto isso é estranho e, melhor, é a única igreja no mundo que está assim. A prisão é em forma de triângulo. Isto tudo porque não havia espaço e os arquitectos fizeram os monumentos conforme dava mais jeito. Não tinha ideia de um sem número de coisas que conversámos ontem e nem nunca ia ficar a sabe-las provavelmente. Imagino que haja pessoas com mais jeito para cativar os turistas e para tornar a visita ainda melhor mas eu adorei. Talvez porque leve mais um bocadinho do Porto comigo, talvez porque já fui aqui tão feliz que me sinta no direito desta cidade também ser minha.
Mais informações no
site e no
FB da Worst Tours. Experimentem que vale muito muito a pena e além disso pagamos o que nos apetecer no final, o preço não é desculpa.