Hoje estive a falar com uma colega minha Enfermeira, que estudou comigo desde o 5º ao 12º ano, tirámos o curso juntas na mesma escola e neste momento também está desempregada. Como somos da mesma terra sabemos como funcionam as coisas nas poucas instituições que por lá existem, as oportunidades de emprego tem nome e morada pré-definida e não dá para gente honesta. Meio pequeno com pessoas ainda mais pequenas. Enquanto falávamos nisso ela contou-me que tinha emprego certo na unidade de cuidados continuados de lá, que é o melhor sítio tirando o hospital da zona, mas o mais podre, onde só se entra pela porta do cavalo. Surpreendentemente, disse-me também que recusou o convite por parte dessa instituição e de quem está à frente dela, a Santa Casa da Misericórdia. Ora eu, que estava parva da vida, perguntei-lhe porquê. Normalmente quem está mal queixa-se de não ter sorte, de as coisas não mudarem, do nosso CV não contar para nada, de ninguém nos dar uma mão! Mas ela não. Disse que por mais dificuldades que esteja a passar não queria estar num sítio a pensar em todos os que pisou para lá chegar. Aqueles que foram lá, tipo eu, e que foram mandados dar uma volta ou coisa pior. Disse-me que não queria ser aquela que estava a trabalhar à custa de não sei quem e que se era para isso preferia estar em casa. Que para lá estar e conviver com pessoas que acham que os empregos caiem do céu não é para ela. Eu, que já tinha perdido a minha fé na humanidade e apesar de saber que ela fala assim porque os pais tem uma vida boa e ela pode ir ficando com eles e esperar mais algum tempo por uma oportunidade fiquei mesmo contente. Quase que lhe bati palmas deste lado do computador, afinal ainda podemos ter esperança neste mundo!
terça-feira, 18 de junho de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Embarazados
Epa que coisa mais linda, assim não dá que agora até pela novela das 18H eu abro a torneira!
A vida é um carrossel!
Sigo esta revista desde o primeiro dia e é uma lufada de ar fresco. Um artigo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia, é mais ou menos isto. A Carrossel trata dos mais variados temas, histórias com pessoas reais, temas actuais e interessantes ou assuntos de antes que interessam sempre. Gostei imenso do artigo de hoje e lembrei-me de partilhar aqui este bebé que está a dar os primeiros passos! Não deixem de visitar.
"Troquei, profissionalmente e não só, o certo pelo incerto e percebi que é mais provável a felicidade vir com o segundo do que com o primeiro. Não foi, como esperava, uma decisão indolor. Houve um forte sentimento de perda no processo até porque vivia bem, a todos os níveis, em Lisboa – é nessas condições, e não no desespero, que se deve dar um passo deste tipo. Mas não me arrependo: pelo contrário. No meu íntimo, não tive um segundo de hesitação mesmo nos momentos em que tudo parecia desabar. Hoje tenho uma certeza: cada dia emigrado vale por dois."
The best is yet to come!
Tomamos decisões, seguimos em frente, vemos finalmente tudo a alinhar-se. Algum dia tem que ser o nosso e a nossa sorte virá. Hoje é mais um dia que será o primeiro do resto das nossas vidas.
domingo, 16 de junho de 2013
Uma questão de justiça
Se a minha classe, os Enfermeiros, lutassem pelos seus direitos metade do que vejo os Professores fazerem acho que não estaríamos neste poço sem fundo. Admiro-os muito por isso, já tenho dito várias vezes. Mas por mais que dê voltas à cabeça não entendo como é que podem fazer o que vão fazer amanhã. Não me parece que seja a melhor forma de luta, é um direito deles e devem ter as suas razões mas estão demasiadas coisas em causa para as pessoas com quem eles trabalham e que nisto tudo estão a ser tratados como números e pouco importa o que lhes vai acontecer. Acho, sinceramente, que não deviam dizer que acima de tudo para eles, estão os alunos. O bem estar dos alunos, a felicidade dos alunos, o sucesso dos alunos. Não estou a dizer que muitos professores não pensem realmente assim mas a fazerem isto só estão a pensar neles! Assim de repente não estou a ver o que os alunos vão ganhar amanhã nem em que momento pensaram neles nisto. E não vão ser prejudicados e blablabla mas seja como for não é justo para nenhum daqueles que está a decidir o seu futuro agora, futuro esse que já não se imagina risonho.
Um dia sou turista na minha própria cidade
Depois de ter visto no blogue da Rachelet fiquei mortinha por experimentar estas worst tours pela minha cidade. Como andamos em contagem decrescente e queríamos arranjar programa para um fim de semana que não dava para praia, passámos a tarde de sábado a correr o Porto de lés a lés. Com mais 5 alemães e os dois arquitectos não guias desempregados fomos a um sem número de sítios e vi coisas por aqui que nem sonhava que existiam. É o bom destas visitas! Achei que para quem não conhece o Porto não é suficientemente esclarecedora da cidade mas não deixa de ser rica, acho que é mesmo isso que eles querem demonstrar, a outra riqueza da cidade, a das pequenas coisas, que os turistas encontram facilmente os clérigos e a ribeira.
Começámos no jardim do Marquês debaixo de um sol quentinho e seguimos pela rua do Bonjardim. As fachadas das casas em azulejo são espectaculares, já à muito que tinha reparado nelas porque na zona onde cresci e vivi até à pouco não se vê tanto. Pena a maioria delas, e grande parte da cidade, estar degradada.
Fomos a uma horta comunitária no Musa (se bem me lembro) que tem uma vista bem bonita e couves, milho, galinhas, morangos... As escadas fizeram-me lembrar a quinta do meu avô. Eu, que ando com a melancolia em máximos históricos, fiquei logo a matutar naquilo. Nunca mais lá voltei avô, sem vocês não é tão bonito.
Fomos à igreja da Lapa e dei conta que nunca tinha entrado numa igreja aqui! O chão é lindo, em contraste com os vestidos horrorosos dos convidados do casamento que estava prestes a acontecer por lá. Andámos até a uma das zonas da cidade que mais gosto, as virtudes. E descobri o miradouro da Vitória que é mesmo ao lado do jardim e nunca tinha dado conta dele! Aquela vista enche-me sempre a alma, que saudades vou ter dela. Guardei uma recordação de um graffiti do Hazul antes que o Rui Rio o mande pintar. Mas a cidade já não quer saber dessas coisas, já respira o S. João e mal posso esperar pelo dia! Terminámos em Miragaia, um dos primeiros sítios que conheci aqui e onde quero ir dar um passo de dança no domingo.
Nunca pensei que os clérigos tivessem 25 andares. Nunca reparei que a torre está na parte de trás da fachada e no quanto isso é estranho e, melhor, é a única igreja no mundo que está assim. A prisão é em forma de triângulo. Isto tudo porque não havia espaço e os arquitectos fizeram os monumentos conforme dava mais jeito. Não tinha ideia de um sem número de coisas que conversámos ontem e nem nunca ia ficar a sabe-las provavelmente. Imagino que haja pessoas com mais jeito para cativar os turistas e para tornar a visita ainda melhor mas eu adorei. Talvez porque leve mais um bocadinho do Porto comigo, talvez porque já fui aqui tão feliz que me sinta no direito desta cidade também ser minha.
Mais informações no site e no FB da Worst Tours. Experimentem que vale muito muito a pena e além disso pagamos o que nos apetecer no final, o preço não é desculpa.
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