quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quando foi a última vez que fizeste algo pela primeira vez?

Hoje, a cinco minutos atras alias, liguei para o trabalho a dizer que estou doente e que nao vou hoje. E estou desde as 3 da manha a morrer de dores do periodo depois de uma hemorragia enorme (que se lixem os que pensam que isto e conversa de menina!) e estive 3 horas a matutar no que fazer depois dos comprimidos fazerem a mesma coisa que uma gota de agua num oceano. Desde que aqui cheguei que me questiono todos os dias com a facilidade que as pessoas tem de deixar de ir ao trabalho! No meu e tudo facil, tens o pingo ao nariz ou espirras duas vezes estas sick, por um, dois, com sorte tres turnos e como sao de 12H ficas com uma semana inteira de ferias. Eu sei que vou ter um dia de merda pelos remorsos que estou a sentir. Apesar do gajo que vou deixar a trabalhar sozinho ser um filho da mae do pior, que faz 30 por uma linha a toda a gente e que me deixou a trabalhar sozinha no dia 25 de Dezembro por uma constipacao que nunca existiu. Mas sei que alem do mal que me estou a sentir vou ficar a matutar todo o santo dia nisto. No final das contas ainda acho que somos feitos duma coisa que se chama esforco que nao ve muito por aqui e orgulho-me disso. Acho que ao fim de seis meses ninguem pode pensar que estou a mentir porque ja viram, espero, que nao e disso que sou feita. Mas acho que no final de tanta coisa ma que o portugues tem, temos uma coisa que nao encontro aqui em muita gente, somos trabalhadores. A vida tambem nao e facil e o medo de perder os trabalhos tambem ajuda mas nao vivemos assim, nao fomos criados assim, ponto final. Eu nunca vi o meu pai fazer isto, nunca. Nao me lembro dos pais dos meus amigos serem assim. Nao sei se sou eu que ando enganada mas nunca na vida convivi com tamanha facilidade de deixar trabalho, equipas, doentes, o que seja na mao como vejo aqui. Hoje fui eu e foi pela primeira e e uma sensacao mesmo estranha diga-se. Depois de desligar o telefone fiquei com uma sensacao tao amarga na boca como se ligasse a dizer uma grande mentira e tudo e todos fosse parar so porque eu nao estava a cumprir o meu dever... E continuo no sofa, sem descansar, e provavelmente assim sera a manha toda porque alem da minha consciencia esta aquilo em que eu acredito. E eu acredito mesmo muito que conquistamos aquilo que trabalhamos para. E mesmo depois de ter trabalhado nestes 6 meses por tanta gente que ja me deixou la na mao continuo a escrever estas linhas com um aperto estupido no peito. Nao somos tudo de mau, juro-vos que nao. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O que é que eu gosto mais no Porto?










Tudo. Uma cidade que roubou a minha alma e onde ás vezes sinto que deixei a minha alegria de viver. Talvez porque seja tao difícil voltar a sentir o mesmo por outro lugar qualquer. Porto é vida, Porto é amor. Vamos lá votar minha gente, aqui fica o link para votar nesta beleza para melhor destino Europeu!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O Simba que existe em mim.

Nos dias de folga tento sempre correr atras do relogio, nao correr no verdadeiro sentido da palavra, mas a bom ritmo tentar acompanhar as 3291037409 coisas que adoro e nao param porque eu ando longe do mundo. Hoje li no Expresso um artigo que adorei, este aqui. Eu, que cresci a amar a Disney e que ainda hoje aos 25 anos os filmes me fazem pensar e sentir que cresci na melhor companhia possivel, subscrevo completamente. Sinto que hoje em dia tudo se perde em prol de tecnologia, alem da parte infantil de que o autor fala. E tenho tanta pena. Hoje e tudo mascarado e ao mesmo tempo tudo banal, tudo o que o dinheiro pode comprar. Frase feita e de velha, nao haja duvidas, mas no meu tempo crescia-se melhor. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

2013 +1

Sera para sempre assim na minha cabeca acho eu. Porque 2013 foi a ano que deu a volta aquilo que eu tinha a 25 anos certo e isso e muita coisa, mesmo sabendo que mudava porque nao tinha nada. Ou tinha tudo, a tal balanca que teima em nao saber para onde tombar. Voltamos a casa no fim do ano e quando chorei assim que vi o rio Douro por baixo de nos soube que era este deitar ca para fora que precisava. E naquelas horas em que abracei os meus amigos e a minha familia mais importante pela primeira vez soube que estava a sossegar o meu coracao. No fundo nestes 5 meses, a caminhar para os 6, nunca tive um dia em que me sentisse serena mas senti-o a voltar para aqui e sei que isso e o primeiro passo para a vida correr como desejamos, o caminho e em frente mas as vezes saber isso nao chega. Sei que aqueles 5 dias de correria nao deram para fazer metade de metade do que queria e sinto-me muito culpada por nao ter passado o tempo com a minha mae de criacao e a minha avo, as duas pessoas que mais amo na vida. Mas olhos que nao vem coracao que nao sente e continuo a contornar tudo o que me faz mal, a esconder-me debaixo de uma confianca que no fundo nao existe e fazer de conta que esta tudo bem. Sempre fui boa nisso e continuo. E ocupo o meu tempo e gasto a minha energia com 1000 coisas diferentes pensando que assim e mais facil esquecer la atras o que nao temos, e vai sendo. 2013 trouxe a verdade aos meus olhos. Que os outros fazem as suas proprias escolhas e nao ha nada que possamos fazer por quem nao quer ser ajudado. Ensinou-me que ninguem gosta mais de ti que tu proprio, mesmo os teus pais. Que a vida tem que andar para a frente porque senao perdes e nao podes deitar fora tudo o que ja conquistaste. Deu-me tudo de bom e tudo de mau. O sabor do reconhecimento profissional, o dinheiro ao fim do mes. O valor que podes ter na vida dos teus doentes, isto no meu caso enquanto Enfermeira. Aprender outra lingua, outra cultura. Viajar e poder fazer planos. Ir ao supermercado e pagar as tuas contas sem pedir ajuda. Saber que tenho ao meu lado o melhor companheiro que podia desejar e crescemos juntos, nao podia ter tido melhor sorte. E mostrou-me tambem a tristeza de nunca te sentires inteira, de teres que te procurar pedaco a pedaco num sitio onde tens que aprender tudo de novo, onde nada e teu. E ha tanta coisa ma nisto que acabei de escrever. No fundo aconteca o que acontecer daqui para a frente 2013 foi o ano em que decidi que ia mudar e mudei, em que tive a coragem de assumir que a vida que levava nao era a que queria e acho que me sinto orgulhosa por isso. Ate hoje, apesar de o fazer todos os dias pelas saudades que tenho, nao tenho porque olhar para tras. Neste ano que ai vem, ou que ja veio e eu ainda nao dei conta porque hoje foi o primeiro dia em que consegui respirar depois de chegarmos, quero uma serie de coisas ou nao quero nada. O cliche da saude, tao importante. Quero aquilo que ja quero a 6 meses va. Desde que chegamos que desejo um monte de coisas mas com uma mudanca tao importante sinto que ficamos com tudo o resto em stand by ate hoje... Quero passar daquela pagina do livro que estava a ler em Portugal que continua ser ser mexida desde que chegamos. Quero ouvir os cds novos que tenho comprado que se acumulam uns em cima dos outros na nossa sala nova. Quero voltar a viajar, quero voltar a fazer um interrail mais pequenino de mochila as costas e sentir o vento na cara, na minha pele mais suja do que o gostaria e nas minhas unhas mal arranjadas, nos meus pes quentes e cabelo despenteado. Quero ir a Auschwitz e a Croacia. Quero ir a Edimburgo passar o nosso aniversario, e vao 12. Quero ver os meus amigos sempre que puder, continuar a sentir que 2200km nao separa nada do que e verdadeiro. Ter a casa cheia, sempre que der. Abracar a minha avo e saber que ela e a pessoa mais genuina do mundo e que nunca vai haver ninguem com quem me pareca mais. Quero que o cancro deixe de ser uma sombra na tua vida M., que lhe ganhemos mais uma x e deixes de ser loura de novo. Quero que o meu amor se realize profissionalmente e que conquiste o que merece depois do que deixou para abracar esta ideia louca de conseguir ser Enfermeira em algum lado. Quero que a minha cadela continue a mostrar ao mundo que os melhores humanos sao os de 4 patas. Desejo do fundo do meu coracao que os meus amigos ganhem asas e voem para coisas melhores porque merecem mais que ninguem. Quero ter tempo para mim. Hoje, um dia de folga no meio de 4 + 3 a trabalhar de seguida, que nao sabe literalmente a nada, tentei por ordem na minha cabeca e na nossa casa. Desde que chegamos basicamente e o que tento fazer quando paro 2 segundos. 2 segundos e o tempo que me parece, honestamente. E esses 2 segundos nao chegam para nada porque a roupa acumula, a casa desespera, nao ha comida no frigorifico e a Uva tem que passear, merece-o. No fundo no fundo pensando bem o que preciso e desejo mais e tempo. E sim pareco estupida porque ninguem que esteve 6 meses desempregada deseja isso mas eu sinto que agora e o que mais preciso. Para por a cabeca no lugar e encontrar um lugar no meu coracao para tudo isto. Digerir o que aconteceu, esquecer o que deve ser esquecido e relativizar o resto. No fundo disto tudo de crescer o que tenho notado mais e que relativizar ajuda muito. Ha sempre um lado B, de bom ou banal. Crescer e a minha palavra de 2013 parece-me e foi tao bom. Que 2013 +1 o traga em dobro. 

domingo, 15 de dezembro de 2013

252

Sao as horas que vou trabalhar este mes. Tenho a sorte de ja poder ver este numero hoje porque aqui preenche-se as horas mais cedo para se receber no dia 24. 

144 eram as que devia ter trabalhado. E com esta me vou para a cama porque amanha tenho mais 12 pela frente. A vida passa por mim e o tempo e uma coisa muita estranha desde que aterramos aqui. Quase 5 meses que parecem 5 minutos e 5 anos ao mesmo tempo.

E agora temos um teclado ingles, dai tanto erro de pontuacao, sem c. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sambô

Quem me conhece sabe que adoro música apesar de ser estanho porque não sou a maior fã do mundo de nada, de nenhum género nem de nenhuma banda. Por outro lado adoro de paixão coisas que não tem nada a ver umas com as outras. Não sei de cor o nome de mil vocalistas nem a história da banda mas sei o que é sentir a música a passar pelo corpo, dançar horas e fio e querer sempre mais. Passo muito facilmente de Jack Bugg e Queens of the Stone Age que tenho ouvido muito nos últimos tempos para kizomba, pimba ou samba , este último que é uma das coisas que mais gosto na vida. De ouvir e de dançar, mesmo que seja um samba à minha maneira. Um amigo nosso que hoje em dia vive no Rio de Janeiro mostrou-nos esta beleza. Ouço em repeat desde então.